A formiga rabiga

formiga_augusto
Foto de Augusto Soares da Carvalhalva

por Augusto Soares da Carvalhalva

A propósito da dificuldade que eu tive para fotografar esta irrequieta Formiga, lembrei-me duma história que li algures, em criança, penso que um texto dum livro de Português.

E se lembrei, fui pesquisar, e porque não partilhá-la convosco, que tendes crianças por perto a precisar de levantar os olhitos cansados do écran da PlayStation?

Então cá vai.

O COELHINHO E A FORMIGA RABIGA

Era uma vez… um Coelhinho Branco que vivia numa linda casinha na floresta. Tinha também uma horta, onde cultivava cenouras, batatas e couves deliciosas.

Certo dia, levantou-se muito cedinho e foi à sua horta buscar couves para fazer o caldinho. Como a horta era ali ao lado, nem sequer fechou a porta. Quando voltou… a porta estava fechada. Bateu… Chamou… Empurrou… Mas lá de dentro só ouviu uma voz:

– Eu sou a Cabra Cabrês, salto-te em cima e faço-te em três!

Ui! Que medo! O Coelhinho Branco ficou muito assustado e sem saber o que fazer. Então, lembrou-se de ir pedir ajuda a um amigo, maior e mais forte. No caminho, encontrou o Cão que lhe perguntou:

– O que tens Coelhinho? Porque estás tão triste?

– Sabes, Amigo Cão, eu hoje levantei-me muito cedinho, fui à minha horta buscar couves para fazer o caldinho e quando cheguei a casa, tinha a porta trancada.

Está lá a Cabra Cabrês e disse que me saltava em cima e me fazia em três.

– Ão, Ão, Ão…desculpa lá, Coelhinho. Eu também tenho medo, não te posso ajudar.

Que triste ficou o Coelhinho Branco. Nem o seu Amigo Cão, tão grande e tão forte, o podia ajudar.

Continuou o seu caminho, com uma lágrima a deslizar pelo canto do olho. Foi então, que apareceu a Amiga Vaca. Que grande sorriso! Ela sim, ia ser capaz de o ajudar.

– Amigo Coelhinho, que se passa? Pareces tão triste!

E o Coelhinho contou o que lhe tinha acontecido. Mas, a Vaca afinal, não era assim tão valente.
– Muuu… Eu também não posso ajudar-te. Ai, Amigo Coelhinho, que medo que eu tenho da Cabra Cabrês!

Cada vez mais triste e sem saber a quem pedir ajuda, lá continuou o Coelhinho Branco pela estrada fora. Mas, de repente! Lembrou-se do Amigo Galo e correu a toda a velocidade para lhe falar. Ao vê-lo o Galo perguntou-lhe:

– Porque vens com tanta pressa, Coelhinho?

E o nosso Amigo Coelhinho teve que repetir a sua história…

– Já pedi ajuda ao Cão e à Vaca, que julgava tão valentes, mas ambos, tiveram medo. Podes ajudar-me, Amigo Galo?

Respondeu o Galo:

– Cocoró, cocorócocó… Também eu tenho medo! Desculpa, coelhinho, mas estou com muita pressa! Cocoró, cocorócocó …

O Coelhinho ficou sentado no meio do caminho, sem saber o que fazer. Estava cansado e com muita fome. Sem dar por isso, começou a pensar em voz alta:

– Uma Cabra malvada que me tira a casa e ninguém me ajuda!

Passava por ali uma formiguinha que o ouviu e perguntou-lhe:

– Que estás a dizer, Coelhinho? Porque estás tão triste?

E mais uma vez o Coelhinho contou o que lhe acontecera naquele dia.

– O quê? Quem pensa que é a Cabra Cabrês?

Eu não tenho medo, sou pequenina mas não medrica, eu sou a Formiga Rabiga que não suporta a injustiça. Vem daí, vamos lá.

– Tu?! Uma simples formiguinha?! Pensas que consegues vencer a Cabra Cabrês? Pois nem os meus Amigos, tão grandes e tão fortes, me puderam ajudar!? – respondeu o Coelhinho, descrente. Mas, lá partiram os dois. A Formiga, de cabeça erguida, e o Coelhinho indeciso, pouco convencido.

Junto à porta de casa, ouviram lá dentro a Cabra Cabrês que festejava. Ao aperceber-se da chegada de alguém, gritou ela:

– Quem está aí???

– Sou eu, o Coelhinho, que foi à horta buscar couves para fazer o caldinho!

– E eu sou a Cabra Cabrês, salto-te em cima e faço-te em três!

Responde a Formiga, espreitando pelo buraco da fechadura:

– E eu sou a Formiga Rabiga que te salto em cima e te furo a barriga!

E se bem o disse, melhor o fez. Entrou pelo buraco da fechadura, saltou para cima da Cabra Cabrês e, escondida no meio dos seus pêlos, … pumba, picou-a na barriga!

– Ai! Ai! Ai! – gritava a Cabra Cabrês, saltando pela janela. E fugiu, a bom fugir!

O Coelhinho Branco pulava de alegria.

– Obrigado, minha Amiga! És pequenina, mas muito valente! – agradeceu o Coelhinho.

E fez, finalmente, o saboroso caldinho que comeu com a sua Amiga Formiga enquanto festejavam juntos aquela vitória.