Fábrica NALDA no Museu Municipal

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por Museu Municipal de Vale de Cambra

Embora muito semelhante à louça de Alcobaça, esta louça foi produzida em Vale de Cambra.

O porquê desta semelhança!

No dealbar da década de mil novecentos e cinquenta, uma pequena unidade fabril, de peças de cerâmica artística e decorativa, inicia a sua produção no lugar da Relva, Vila Chã, no Concelho de Vale de Cambra.

Conhecida como NALDA, acrónimo do nome da sociedade, era essa a marca que a firma ostentava nas peças produzidas, que tinham a particularidade de se assemelharem, na tipologia e na decoração, à faiança saída das fábricas de Alcobaça, razão pela qual muitas das peças originárias da NALDA se confundem com as da produção de cerâmica de Alcobaça.

A homogeneidade entre as peças é justificada pelo facto de serem usados na NALDA, os mesmos processos de fabrico da louça alcobacense, não sendo também alheia a esta similaridade o facto da mão-de-obra especializada da NALDA – Oleiros, moldadores, pintores e forneiros – serem provenientes dessa região, contando apenas com aprendizes naturais de Vale de Cambra que trabalhavam, principalmente, no acabamento e na pintura.

A fábrica apenas laborou num curto período de tempo, nela tendo trabalhado alguns operários vindos das mais importantes fábricas de Alcobaça, como foi o caso de Joaquim Leonardo, forneiro, que trabalhou na Olaria de Alcobaça e o de Alfredo Santos e João Pombo, pintores na Elias e Paiva.

Tendo um cunho marcadamente alcobacense, a cor é uma constante desta louça, “(…) pois a louça que ao longo dos tempos se vulgarizou de norte a sul do país a louça alcobacense facilmente se identifica, através dos seus tons de amarelo, verde, violeta e encarnado, sobre um fundo predominantemente azul”.

Sendo estes os tons que igualmente predominam na louça NALDA.

Todas as peças possuem assinaladas à mão, a marca NALDA e em alguns casos Vale de Cambra e Portugal, para além das iniciais do artista e da numeração da peça.

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Fonte

Outras peças

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Foto Porto e Norte
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Foto Câmara Municipal de Vale de Cambra (já não existente)

Pote em cerâmica de Vale de Cambra com decoração policromada com predominância do tom azul motivo florais e paisagens de rio, peça marcada na base e assinada “NALDA 1989”. Dim: 42×25 cm – em Leilão ONLINE

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História de um prato por Manuel de Almeida

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Ondas da Serra obteve estas imagens do Museu Municipal

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Há barros e barros…

No lugar do Barbeito, talvez há 40 anos, ainda existia o fabrico de louça de barro preto; porém, com a morte do seu principal fabricante, («ti» Luís Pucareiro) natural da freguesia de asseia, a laboração pouco tempo se conservou na mão dos seus herdeiros.

Mais tarde, por volta de 1950, no lugar da Relva, freguesia de Vila Chã, foi montada uma nova fábrica de louça de barro mas, apesar da instalação ser moderna, poucos anos teve de vida e, o tempo que durou, fabricou louça artística.

Depois, o técnico da louça, que era pessoa de fora, ainda tentou na vila o fabrico de imagens e bonecos de barro, mas, também, a laboração pouco tempo se manteve.

António Martins Ferreira
Fonte

Para o estudo do barro preto em Vale de Cambra