Soneto

Soneto

por adão cruz Soneto

(Hoje é dia de Camões. Longe de mim a pretensão, mas a título de comemoração, deixo aqui um dos poucos sonetos que fiz. Escrevi-o em 1971, dois anos após a morte de meu pai).  

Tão cedo a esta vida te roubaram
Saudoso pai, meu bom e grande amigo
Que mal teus olhos fundos se fecharam
Boa porção de mim partiu contigo. 

Flores e velas, preces lacrimosas
Oh! Alienas artes da razão
Ainda bem que não te iludem rosas
Meu doce pai que em tudo és meu irmão. 

Minha fé, minha crença, minha idade
De homem-filho, é grito de homenagem
Que outro não sei, sem lágrimas, sem prantos. 

Mãos dadas pelos céus da eternidade
Nesse reino sem trono e sem linhagem
Vives tu, vivem papas, reis e santos. 

adão cruz