Projecto Alminhas Digital

Projecto Alminhas Digital
Alminhas em Cepelos – 1908

Fernando Manuel Tavares Correia, licenciado em História, publicou, e dá a conhecer em pormenor, este magnífico projecto que mostra, de forma interactiva, as Alminhas de Vale de Cambra.

A memória de um povo faz-se de representações e monumentos mais ou menos grandiosos, mas também, de edificações singelas na sua aparência, mas poderosas na imaginação popular.

É assim que a cultura popular pelas almas do purgatório carrega um significado espiritual estratégico no mundo rural que se ritualiza em símbolos de base religiosa como são as ALMINHAS.

Estes oratórios de fé e devoção ligam com o transcendente, e facilitam a transição entre o físico e o espiritual.

A sua origem situa-se no século XVI, quando na Igreja católica vingou a ideia de Purgatório como um terceiro espaço, além do Céu e o Inferno, onde as almas permaneciam até se purificarem.

Lembram-nos a transitoriedade da vida e a necessidade de rezar pelas almas dos que já morreram, de maneira a que alcancem com maior celeridade o Céu.

Assim, a construção e o culto destes oratórios beneficiam, não só as almas no Purgatório, mas também os que rezam ou deixam oferendas.

A sua construção em locais de passagem, campos agrícolas ou fontes, servem de culto, proteção e guarda.

O seu aspeto físico e o material de construção, varia com a região, mas no essencial, originalmente, o oratório tem um nicho, onde se inclui um painel pintado, representando na sua base, as almas no fogo do Purgatório, e acima, disposto por hierarquia, um conjunto de entidades divinas.

O corpo do oratório inclui também a cruz, que se pode incorporar no corpo do monumento, ou estar destacado no topo.

Este é um projeto sem fins lucrativos suportado exclusivamente por trabalho voluntário com o intuito de inventariar e georreferenciar as alminhas.

Sendo o autor deste site historiador, tem também o apoio de consultores nas áreas de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e Geografia Humana.

O modelo de inventariação com adaptação nossa, segue a estrutura usada por Olinda Maria de Jesus Rodrigues na tese de mestrado em Arte e Património e Teoria do Restauro – As Alminhas em Portugal e a devolução da memória. Estudo, recuperação e conservação, RODRIGUES, Olinda Maria de Jesus, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2010, 2 Vol.

As imagens divulgadas em “FOTOS” são da nossa autoria. Quando não existem imagens nos “MAPAS”, é porque não obtivemos autorização dos autores para a sua divulgação pública.

Fernando Manuel Tavares Correia

[email protected]

Uma preciosa ajuda à compreensão de pormenores técnicos descritivos encontra-se neste glossário publicado pelo autor.

acrotério : pequeno pedestal sem ornamentos, geralmente colocado nas extremidades ou nos vértices dos frontões, ou ainda, de espaço a espaço, nas balaustradas, e cuja função é sustentar estátuas ou outras figuras ornamentais

adornado : que tem adornos

adossado : encostado a uma parede ou a outro elemento de maior superfície ou volume (diz-se de elemento arquitectónico ou escultórico)

argamassa : mistura de areia água e um aglutinante

antropomórfico : cuja forma aparente evoca a de um ser humano

boleado : que sofreu boleamento; cuja superfície é abaulada ou arredondada; torneado

cimalha : Extremidade inferior de uma cobertura, que sobressai sobre a parede (2)

cornija : 1 na arquitectura clássica, a parte superior do entablamento (‘conjunto composto de arquitrave, friso e cornija’), que assenta sobre o friso 2 moldura saliente que serve de remate superior à fachada de um edifício, ocultando o telhado e impedindo que as águas corram pela parede

coruchéu : remate pontiagudo que encima as partes elevadas de uma edificação

cruz latina : uma cruz cujo braço horizontal é mais curto que o vertical

edícula : nicho para colocar imagem de santo; oratório

epigrafia : estudo da composição de epígrafes, de inscrições

emoldurado : colocado em moldura

enrolamento : linha em espiral que contorna ornamento

ex-voto : quadro, pintura ou objecto a que se conferiu uma intenção votiva; quadro, placa com inscrições, figura esculpida em madeira ou cera (representando partes do corpo) etc., que se colocam numa igreja ou capela para pagamento de promessa ou em agradecimento a uma graça alcançada

fólio : motivo ornamental composto por lóbulos dispostos em torno de um centro, característica da traceria gótica (2)

frontão : peça arquitectónica na parte superior das portas e das janelas, ou que coroa a fachada principal de um edifício

insculpir : gravar por meio de entalhes, incisões, em madeira, pedra, metal, etc.; inscrever, entalhar

mísula : ornato saliente preso à parede, estreito na parte inferior e largo na superior, que sustenta um arco de abóbada, cornija, púlpito, suporte para vaso, estátua etc.

modilhão : ornato que prende da cornija, servindo-lhe de suporte, e cujo perfil é um S invertido

nicho : reentrância ou vão em parede ou muro onde se colocam estátuas, imagens

oratório : armário, nicho ou pequeno altar onde são dispostas, para veneração, imagens de santos; adoratório

painel : painel de pintura executado sobre tela, madeira, etc.; quadro

peto : mealheiro (regionalismo)

pilastra : 1 espécie de pilar decorativo, vertical, pouco saliente do paramento da parede, à qual se liga por uma das suas faces 2 suporte de secção quadrada ou circular

pináculo : um elemento decorativo que coroa um coruchéu, arcobotante, etc., usado na arquitectura Gótica

pingente : elemento decorativo em forma de florão que pende do centro de uma abóbada ou teto […] (2).

querubim : anjo da primeira hierarquia, entre os serafins e os tronos; cabeça de criança com asas

relevo : uma composição, ou desenho, realizado de tal forma que o seu todo, ou parte, que se projecta de uma superfície plana

retábulo : estrutura ornamental em pedra ou talha de madeira que se eleva na parte posterior de um altar

trilobada : que é dividido em ou que possui três lobos

voluta : ornato em espiral usado no arremate de capitéis, colunas, modilhões, mísulas etc

(1) Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, Círculo de Leitores, Lisboa, 2002

(2) Dicionário Visual de Arquitetura, Quimera, Lisboa, 2014

(3) LUCIE-SMITH, Edward – Dicionário de Termos de Arte, Círculo de Leitores, Lisboa, 1990